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Wednesday, 10 November 2010

Sintonizado em Posto Errado

ligo-te

sintonizado vou ouvindo
potenciais ilusórios

a música não é má
as notícias parecem boas
mas estes êxitos antigos
foram todos editados quando o mundo começou

não há história mais velha
nem ninguém que a não conheça
e contudo todos voltam
a ligar este e aquele
para poder ouvir de novo
a melodia, a boa nova
e o separador simpático
que organiza o caos real

... estática ... estática ... estática ...

Tuesday, 26 October 2010

nada se passa, mas a pedra vem rolando

Penso deprimentemente que sou um problema sem solução.

Porque será que os momentos de felicidade me parecem tão únicos, tão especiais, tão diferentes uns dos outros e os momentos de tristeza me parecem todos parte do mesmo? Quando estou triste, regra geral por me cortar na lâmina fria da realidade, sinto sempre o mesmo: em vez de experimentar uma sensação nova, limitei-me a regressar a casa.

Entro, estico o braço para pendurar no cabide o casaco molhado da chuva e o casaco cai, não há cabide. Pesado, amorfo, ensopa o tapete. Não quero saber. Atravesso o corredor e abriria a porta para a sala, se porta houvesse. Se houvesse sofá, sentar-me-ia nele, mas nem isso. Há uma manta qualquer a um canto. Vou até lá, sem grande esperança de que aconteça algo interessante, mas vou na mesma, afinal nunca se sabe, não é? Nada acontece.

Nada se passa, mas a pedra vem rolando.

Fecho os olhos e vejo-a: a pedra magnífica, rasgando o céu, uma pedra normal que pode mudar tudo, mas se vem, ainda vem longe. Até lá, vou tendo frio, vou regressando a casa.

Maldita diferença. Maldita indiferença. Maldita tu, Ana Maria.

Levanto-me, vou até à janela, olho o céu e sou o único. Será que a pedra está lá? Não, ainda não, claro que não. Não te vejo, não quero que me vejas, não quero querer-te, mas quero-te e é tudo mentira, é tudo falso, só este sítio é real, só esta cinza. Porque é que isto não rebenta? Rebenta, vá lá. Fecha a janela por mim. Tranca-me. O que é isto?

Começo a achar que tu não és tu: há algo de estranho em tudo isto.

Onde está a arma quente?

Monday, 25 October 2010

eu

dou por mim a palmilhar os meus pensamentos e é no mesmo momento que chego a uma conclusão: não sei quem sou, nem sei de que matéria sou feita.
não há sonho que dure, esses esfumam-se num estalar de dedos. não há olhares firmes, só desvios para o chão. muito menos terei a cabeça erguida e o meu sorriso desenha-se sozinho numa máscara preta.
os meus dedos escrevem qualquer coisa de vez em quando, mas não transparecem nem metade do que deviam, é um processo difícil, mas creio que o interesse alheio também não é grande. escrevo como uma criança que espreita pela porta à espera de conseguir fugir sem ninguém a ver, a sair em pés de lã. às vezes um espirro que soa a máquina registadora antiga denuncia-me, passo a ser o centro das atenções que nunca quis ter.
como o vento, sem direcção - ora fraco, ora forte.
o único pensamento final é simples e partilho-o na mesma: a vida é uma merda. antes ria-me, mas começo a perder essa qualidade.

Wednesday, 13 October 2010

Teoria dos Invariantes

donde veio isto
o que é isto
para onde vai isto

?

As perguntas não variam, varia apenas aquilo a que se referem.

De mãos nos bolsos, com inclinações detectivescas, observo à distância. Se fecho os olhos, ouço o teu ritmo. Se os abro, não ouço nada. Espero ver-te de mais perto. É curioso, contudo. É aleatório, no entanto. É confuso, nos extremos, mas certo no complementar.

Azul.

Tuesday, 5 October 2010

carta aberta ao amor

quem és tu e de onde vens? porque me assustas assim e me estendes a mão só de vez em quando?

onde é que mora a tua alma e porque é que dói? porque é que só regressas em manhãs de nevoeiro como D. Sebastião?

é a falta ou abundância de ti que me enferrujam e se deitam em mim uma e outra vez, num sucessivo corrupio que me assalta na forma de suspiro?

não desejo a tua presença e enganei-me sempre que o fiz. nunca te quis nos meus pensamentos mais ternurentos, também desejei que o tempo te matasse e tal nunca aconteceu.

porque voltas e retornas sem fim? porque não descansas e deixas de pensar em mim?

porque é que desapareces quando te desejo e quando quero me pegues fogo? porque é que não sabes ditar as regras e fazes batota?

porque é que me pões lágrimas nos olhos e me apertas o coração?

e por fim, porque é que dóis tanto não só no coração - mas no estômago tambem?

Thursday, 16 September 2010

i do not like to be in love. i have no aspirations of any kind and i do not wish to be an anti-hero. it's weakness and it's lovely! the grace and tenderness in every sparkle of the eyes, the gorgeousness in every breath and every step. but this is not me and i do not like to be in love

Tuesday, 24 August 2010

sem título

"carry my joy on the left, carry my pain on the right"

uma faca de dois gumes: de um lado a minha desgraça, do outro o sol.

há espaço para esperanças vãs? o que a realidade e o cérebro me dizem são coisas completamente diferentes, são opostos. o pior são as ilusões que me enchem os olhos e as entranhas! essas ofuscam-me, às vezes parece que me arrancam o coração e o dão a comer aos pássaros - e eu fico a ver uma e outra vez.

alguma coisa terei feito de muito errado, ainda estou à espera que me apontem o erro.

Tuesday, 10 August 2010

Há necessidade de desabafo.

Gosto do verão mas prefiro o inverno. O quente da minha cama sacia-me sempre a necessidade de conforto. Gosto do sol mas a única utilidade do verão é pensar. É aqui que entra o que não me sai da cabeça: a que transformações me submeti ao longo do tempo? E o facto de ser reservada. Numa troca de mensagens, disseram-me que sou reservadíssima. Parei para pensar e acho que o mais provável é ser verdade. Apercebi-me que sou incapaz de dizer que penso e o que quero. Medo? A razão disto estar a acontecer - essa sei. Gostava de expor certas e determinadas coisas que sinto, sei e penso. O meu travão é o medo. As vontades vão-se acumulando e eu continuo na mesma, o resultado é sempre o mesmo: frustração. Há quem me acuse de ser solitária e que esse é um factor determinante nas minhas acções. Acredito que é preciso habituar-se à solidão para se ser feliz. Precisamos de nos conhecer nas horas mais escuras para poder apreciar a felicidade - mas até que ponto é saudável?
E os meus falhanços bem redondos? Esses ficaram para trás, menos um - é esse que me atormenta. Não é Braga, é Lisboa. Dispenso filosofia da treta que diz "o tempo cura tudo", não é verdade.

É curioso, há mais de 10 anos que sei que há faísca e só recentemente prestei atenção e, para variar, o resultado não foi dos melhores. Só lhe consigo extrair uma coisa positiva, a vontade de mudar o que está errado mas a coragem não faz parte dessa lista.

Todos os dias sei que estou à beira do precipício e dou um passo em frente, não falha.

Wednesday, 9 June 2010

quem te vê

rendo-me à faísca dos olhos, ao vento e as palavras que já não oiço. mas está tudo parado. não! só a chuva lambe os vidros, só a noite beija a chuva, mais nada.
o café aquece e a água do banho ainda está a correr, o gato mia e pede peixe. este desfiar rotineiro não chega. quero mais... e mais e mais... cabelos despenteados de inverno, pés aquecidos, lençóis quentes, péssimo humor matinal e um beijo demorado na testa.
sombras vagas, copos de cerveja vazios, o sentar no degrau à espera, as horas tardias e os silêncios constrangedores de cortar à faca, o reflexo nos óculos e o sorriso comprometedor. é curto. o negro do silêncio funde-se e confunde-se com fado.

é escuro e obscuro.

diz-me tu porque eu nunca sei.

Monday, 7 June 2010

the sound of two hearts, beating side by side.

à mercê dos teus olhos, vassala das tuas mãos.


encolho e durmo ao sol, mas nos teus ombros.

waiting be reborn.